Categoria: Entrevista

17
set

“A Omega se propõe a aumentar a produtividade e diminuir os custos”, diz Ricardo Mocellin

O ano de 2015 está sendo o ano da inovação na Omega Nutrição Vegetal. Utilizando-se da biotecnologia, a empresa desenvolveu um mix de novos produtos voltados para o aumento da produtividade.

Veja abaixo a entrevista com o diretor da Omega Nutrição Vegetal, Ricardo Mocellin, que explica todo esse processo, os benefícios dessa nova linha de produtos e o momento que vive a empresa sediada em Canoas, RS.

1)      A Omega busca ser referência em sustentabilidade e aumento de produtividade. Quais as soluções inovadoras que a empresa vem desenvolvendo para isso?

Nós somos fabricantes de fertilizantes foliares e esse segmento da indústria agronômica existe desde 1950, mas, aqui no Brasil, a partir dos anos 70 é que começou a ser divulgado. Em uma primeira fase todos os fertilizantes basicamente eram sais nutritivos, como o cloreto de cálcio diluído na água, por exemplo. Eram fertilizantes simples. Uma segunda geração dessa indústria de fertilizantes evoluiu para organominerais, como o nome diz, tinham uma carga orgânica além dos nutrientes. E na terceira geração, que é onde a Omega se encontra hoje, nós estamos vislumbrando um passo além do organomineral, que são produtos que trazem nessa carga orgânica bioestimulantes, fitohormônios, aminoácidos, que desencadeiam determinadas reações esperadas na planta. Eu chamo de terceira geração porque tem esse desempenho específico. Por exemplo, contra a seca você põe um determinado aminoácido, que induz a planta a se defender desse fator ou contra uma doença e assim por diante. Nesse momento, a Omega está lançando uma linha de produtos com essa inovação. Se tivéssemos de definir, biotecnologia é a palavra mais adequada para essa nossa nova geração de produtos.

2)      A empresa está reestruturando seu mix de produtos. Quais produtos novos o senhor destacaria como os mais demandados pelo mercado?

A Omega acabou dividindo seu portifólio em dois. A Divisão Pró+ que é carregada com tradição e confiança. São produtos mais tradicionais, que já existiam no nosso mix. Já a Divisão Phytotech vem com bioproteção e biotecnologia embarcada. Essa divisão tem, por exemplo, uma linha com produtos que otimizam em até 30% a eficiência das pulverizações agrícolas. São as maiores demandas comerciais atualmente na empresa, conjuntamente à linha formada pelos produtos com aminoácidos embarcados.

3)      Devem vir mais produtos novos por aí? O senhor pode falar quais e quando?

Estamos sempre estudando novos produtos. A indústria agrícola, assim como a farmacêutica, demanda alguns testes antes do lançamento das novidades. A cada ano, após o período de experimentação agrícola, testamos à campo, em condições de lavoura comercial, os produtos que serão lançados no ano seguinte. Isso nos dá uma garantia de funcionamento no mercado.

4)      Como está a estruturação da empresa para a área de pesquisa (experimentação agrícola)?

Normalmente, as empresas contratam departamentos das universidades ou mesmo empresas privadas que se encarregam de fazer a pesquisa e testes de alguns produtos. Nós trabalhamos com duas situações: uma é contratar universidades de renome para pesquisas e a outra é abrir um departamento interno dentro da empresa com um responsável experiente nesses testes. Trata-se de um departamento técnico de pesquisa aplicada com um coordenador científico. Esse departamento está previsto para ser lançado esse ano. Já estamos na fase de seleção do responsável para tal. Os espaços onde acontecerão esses testes já estão definidos.

5)      O uso de adubos foliares vem crescendo bastante nas lavouras do Brasil. A que o senhor atribui esse crescimento?

Com o advento da transgenia na agricultura veio junto a aplicação de herbicidas nas sementes transgênicas. Com isso, todos os produtores acabaram se equipando com pulverizadores para aplicar o glifosato (herbicida) e partir para o plantio direto e a cultura transgênica. Assim, a aplicação de líquidos como fertilizantes ou defensivos ganhou muita força porque hoje todos têm essa capacidade operacional de colocar fertilizantes líquidos no momento certo do ciclo da planta e na dose certa. Essas duas questões são fundamentais no ciclo vegetativo da cultura para o sucesso do fertilizante foliar. Se colocar o produto certo na hora errada não vai funcionar.

6)      Nesse contexto, o senhor poderia falar mais sobre como se encaixam fertilizantes foliares hormonais e os aminoácidos? E o que esses elementos promovem às lavouras?

O fertilizante foliar se presta para suprir a planta de alguma deficiência nutricional que ela apresente. Ele permite fazer isso ao longo do ciclo, não necessariamente tendo de corrigir a deficiência do solo um ano antes do plantio. O fertilizante foliar consegue realizar essa correção durante o ciclo vegetativo. Além disso, ele supre a necessidade de produzir mais, otimizando os recursos, sejam eles ambientais, financeiros, etc. Em agricultura, produtividade não se atém a um só fator. Eu li um trabalho que demonstra que produtividade significa 53 fatores que devem trabalhar de forma harmoniosa, conjunta e equilibrada. Esses fatores passam por potencial genético, sanidade, fertilidade, chuva, plantio adequado, densidade de sementes e por aí vai. É muito difícil atingir os 53 fatores conjuntamente. O fertilizante foliar tem um importante papel nesse cenário. Muitas vezes, ele pode sanar uma deficiência de forma pontual, e em outras, atuar de forma ampla, gerando diversos benefícios.

7)      Quais são os produtos capazes de chegar mais perto desses fatores?

Os produtos da Divisão Phytotech se propõem a ter essa carga biotecnológica e dentro disso cabem muitos fatores, entre eles, genética e as rotas metabólicas na planta. Só que isso a gente não faz só com nutrientes, tem de usar alguns aminoácidos e alguns hormônios naturais que desencadeiam essas reações. Assim como nós humanos dependemos de alguns aminoácidos e produzimos muito menos do que necessitamos, as plantas também dependem disso. Na Linha Aminum, onde se encontram os produtos Thor Raiz, Thor Colheita, Thor Ciclo e Thor Defense, por exemplo, oferecemos os aminoácidos em cada produto para que eles desencadeiem a ação esperada, tanto quanto a estresse abiótico, como vento, geada, seca, alagamento, quanto a estresse biótico, que seria uma manifestação fúngica, lagarta, percevejo, bactérias, ou seja, qualquer ser vivo.

8)      Como funciona a Linha Aminum?

Na Linha Aminum nós temos quatro produtos. Começamos com o Thor Raiz, com o tratamento de sementes para estimular a germinação e o estande de lavoura adequado, por meio do aumento de raízes. Passando depois para o Thor Ciclo, que é para ser usado ao longo do ciclo e promover o desenvolvimento vegetativo. Temos também o Thor Defense que é para ser usado na pré-florada, fazendo com que a planta se previna contra as doenças que ocorrem nesse momento e, finalmente, o Thor Colheita, que tem como objetivo o maior enchimento do grão, dando mais peso aos grãos e aumentando a produtividade.  Antigamente, para o ciclo da soja era preciso 10 produtos, e agora pode se fazer todo o ciclo com quatro. Esses produtos não servem só para grãos, eles servem também para frutas, hortaliças, etc.

9)      A utilização de produtos à base de Ácidos Húmicos aumenta a produtividade na agricultura no Brasil e no mundo? Por quê?

Os ácidos húmicos são  considerados  bioestimulantes.  As plantas ao longo da sua existência vão fixando carbono e isso pode virar petróleo. São hidrocarbonetos. Os ácidos húmicos são uma fase anterior ao hidrocarboneto. Então, eles são ricos em carbono e estimulantes das raízes das plantas. E a planta, apesar de absorver nutrientes também pelas folhas, precisam essencialmente de um bom sistema radicular. E os ácidos húmicos vêm fazer isso: melhorar a biologia do solo, aumentando o número de raízes e de radicelas e, dessa forma, aumentar a absorção dos nutrientes do solo. Esses ácidos se dividem em, ácidos fúlvicos, que melhoram a absorção dos nutrientes, e ácidos húmicos, que melhoram a condição do solo em si e a interação do solo com as raízes.

10)  Qual a sua perspectiva para o setor do agronegócio com a alta do dólar e a pressão inflacionária pela qual passa a economia brasileira?

Pelo segundo ano consecutivo os produtores rurais estão sendo salvos pela desvalorização do real. No ano passado, as projeções mostravam que a soja seria vendida a R$ 45 a saca, e se vendeu a R$ 60 em função dessa desvalorização. E, nesse ano, está se prevendo que vai se entregar a soja em maio do ano que vem a R$ 80 o saco. Então, a desvalorização cambial vai salvar a lavoura, mas isso, provavelmente não vai acontecer de 2016 para 2017. A inadimplência está começando agora. O mercado de agronegócio é o que mais cresce. É o que carrega a balança comercial do Brasil nas costas, e proporciona o superávit, mas passou por um momento de uma bolha de consumo e apesar de continuar crescendo o pessoal vai ter de ter muito cuidado daqui para frente. Quem não fez uma boa gestão financeira já foi salvo nos anos 2014, 2015 e vai ser salvo em 2016, mas não passa de 2017. A boa gestão é aumentar a produtividade e diminuir os custos que é o que a Omega se propõe, ajudar o produtor.