Arquivos: agosto 2016

25
ago

Controle de plantas daninhas resistentes

Uma das principais características das plantas daninhas é a ampla variabilidade genética, que permite a adaptação e a sobrevivência dessas espécies em diversas condições ambientais. Devido a utilização intensiva de herbicidas nas últimas décadas, algumas populações de plantas daninhas adquiriram resistência a esses produtos.

A resistência de plantas daninhas aos herbicidas é a capacidade natural e herdável de alguns biótipos, dentro de uma determinada população, de sobreviver e se reproduzir após a exposição à dose de um herbicida, que normalmente seria letal a uma população normal (suscetível) da mesma espécie.

Desenvolvimento e tipos de mecanismos de resistência

O aparecimento de biótipos de plantas daninhas resistentes aos herbicidas está condicionado a uma mudança genética na população, imposta pela pressão de seleção, causada pela aplicação repetitiva do herbicida na dose recomendada ou diferentes herbicidas, mas com o mesmo mecanismo de ação.

Considera-se que a resistência pode ser dividida em três mecanismos:

  • Alteração do sitio de ação – o local específico é alterado e a molécula do herbicida não consegue estabelecer sua ação fitotóxica;
  • Metabolização ou detoxificação – a planta degrada o herbicida antes que esse cause danos irreversíveis à ela. Esse é o mecanismo de resistência apresentado pela maioria das espécies;
  • Retenção ou não afinidade do herbicida no local de ação – está relacionada ao impedimento do herbicida em atingir o sítio onde deve atuar, pode ocorrer pela ligação do herbicida a compostos naturais da planta.

A resistência pode ser cruzada ou múltipla. A cruzada ocorre quando o biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas devido a um único mecanismo de ação e a múltipla ocorre quando o biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas porque apresenta dois ou mais mecanismos distintos de resistência.

Manejo e prevenção da resistência

É necessário alterar constantemente as práticas utilizadas no controle de plantas daninhas, através de um sistema integrado de controle que envolva métodos culturais, físicos, mecânicos e químicos, visando evitar ou retardar o aparecimento de plantas daninhas resistentes. Veja algumas orientações:

  • Manejo apropriado de herbicidas – deve-se utilizar herbicidas com pouca atividade residual no solo, otimizar a dose, a época e o número de aplicação, evitando o uso contínuo de herbicidas ou daqueles com o mesmo mecanismo de ação;
  • Rotação de culturas – procurar a semeadura de diferentes culturas nas safras que permitam a utilização de herbicidas de diferentes mecanismos de ação;
  • Rotação de herbicidas – o uso de herbicidas com mecanismos de ação diferenciados nas aplicações sucessivas contribui para a redução da probabilidade do surgimento de biótipos resistentes;
  • Empregar sementes certificadas – é importante para evitar a disseminação da resistência, principalmente nos casos em que a semente das culturas e das plantas daninhas são de difícil separação;
  • Acompanhar as mudanças nas plantas – o conhecimento das espécies existentes na área e suas proporções possibilita ao produtor detectar a ocorrência de seleção de espécies, prevenindo assim a resistência.

Em caso de confirmação da resistência deve-se, inicialmente, erradicar imediatamente as plantas remanescentes ou usar práticas para reduzir o acréscimo de sementes ao solo, evitando a disseminação das plantas resistentes.

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09
ago

Saiba tudo sobre os biofertilizantes

O Decreto 4954/2004 alterado pelo Decreto 8384/2014, define biofertilizante como um produto que contém princípio ativo ou agente orgânico, isento de substâncias agrotóxicas, capaz de atuar direta ou indiretamente sobre o todo ou parte das plantas cultivadas, elevando a sua produtividade, sem ter em conta o seu valor hormonal ou estimulante.

Na categoria de biofertilizante se enquadram produtos orgânicos de origem natural que tragam efeitos não só nutricionais, mas também fisiológicos ou que ativem biologicamente processos na planta para aumentar a eficiência em termos de aproveitamento de nutrientes, diminuindo o estresse causado por fatores bióticos e abióticos.

Substância naturais utilizadas em biofertilizantes

Os biofertilizantes são formados por produtos de origem natural como as substâncias húmicas (com destaque para o ácido fúlvico), extratos de alga, aminoácidos, entre outro compostos naturais.  

  • Substâncias húmicas – são o resultado da transformação contínua de resíduos orgânicos no solo. Alteram as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo e exercem papel importante na fertilidade e estrutura do solo.
  • Extrato de algas – por sobreviverem em ambiente salgado, desenvolveram mecanismos de osmorregulação e possuem compostos que possibilitam resistência a seca e a temperaturas extremas.
  • Aminoácidos – entre suas funções, apresentam interação com a nutrição de plantas, aumentando a eficiência na absorção, transporte e assimilação dos nutrientes.

Apesar dessas substâncias já serem utilizadas há algum tempo como aditivos em formulações com fertilizantes, os biofertilizantes são considerados novos produtos no mercado. Perante a nova legislação, os produtos novos precisam de protocolo de aprovação agronômica para mostrar que a tecnologia tem validade.

O acréscimo de compostos naturais não caracteriza o produto como biofertilizante, pois precisa haver relação com a bioatividade, já que o efeito no metabolismo vegetal precisa ser comprovado em trabalhados científicos em conformidade com a Instrução Normativa (IN 06/2016).

O Engenheiro Agrônomo Átila Francisco Mógo, em entrevista a Abisolo, ressaltou que com o desenvolvimento de novas tecnologias na classe do biofertilizantes, eles passam a adquirir um protagonismo muito maior, porque não estão relacionados especificamente com a parte nutricional, mas muito mais com a parte biológica em estimular a planta a responder às mudanças climáticas, o uso excessivo de fertilizantes que o sistema de produção impõem. Você pode conferir a entrevista completa aqui.

Desafios a serem vencidos

A indústria de tecnologia em nutrição vegetal terá que vencer os desafios em investimentos, em inovação, em processos tecnológicos e pessoal qualificado, e as pesquisas oficiais determinaram quais os efeitos que os biofertilizantes causam nas plantas, para fins de registro.

Após vencidos esses desafios, o mercado terá à disposição produtos naturais para diminuir efeitos de estresses, estímulo ao crescimento e desenvolvimento das plantas, retardando a senescência, entre outras possibilidades, elevando a produtividade das culturas. Os biofertilizantes vêm contribuir com o aumento do aproveitamento do potencial genético das plantas.

Resumo de como dever ser um produto para ser considerado biofertilizante

  • Características – apresentar bioatividade, isento de substâncias agrotóxicas, não conter reguladores vegetais;
  • Diferenciais – matérias-primas que atuam positivamente no metabolismo vegetal;
  • Aplicações – complementa a adubação de base atuando direta e indiretamente sobre o todo ou parte das plantas cultivadas, elevando sua produtividade.

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